Ask the Expert - Adelino Costa Matos, presidente da ANJE

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Saber aprender com os erros

 

Habitualmente diz-se que os empreendedores devem ter determinados traços de personalidade, como a determinação, a perseverança, a abnegação, o inconformismo… Eu acrescentaria a estas características pessoais uma outra que considero fundamental: a capacidade de resistir aos erros e aprender com eles.

A sociedade portuguesa ainda estigmatiza quem, independentemente dos motivos, falha nos negócios. Por isso, é importante que os nossos empreendedores saibam resistir a uma certa intolerância social face ao erro e encontrem motivação para tentar de novo, corrigindo o que correu mal anteriormente. Esta resiliência parece-me essencial para manter viva a ambição e não temer o risco nos negócios, mesmo num contexto cultural que persiste em penalizar quem falha.

Errar é inerente à condição humana e um fator indispensável ao processo de aprendizagem. Logo, também nos negócios o erro pode servir de lição para o futuro, enriquecendo pessoal e profissionalmente o empreendedor. De resto, o empreendedorismo implica sempre alguma dose de risco e, por isso, uma maior propensão para o erro. Importa, contudo, saber aprender com o fracasso e evitar entrar numa espiral de falhas que seja fatal ao negócio.

Não só fracassar não tem nada de vergonhoso como é natural no percurso de um empreendedor, devendo ser encarado sem complexos. Não faltam, aliás, exemplos de empreendedores de sucesso que foram obrigados a reformular profundamente os seus projetos ou até a abandoná-los por outros até alcançarem o êxito. Não há fórmulas mágicas para triunfar nos negócios, o que obriga, muitas vezes, a uma aprendizagem por tentativa e erro. 

As startups são mais suscetíveis ao erro e isso reflete-se na taxa de mortalidade destas empresas, que é elevada em qualquer parte do mundo. É da sua própria natureza esta maior vulnerabilidade, considerando que não têm ainda os seus modelos de negócio consolidados. Por outro lado, as startups estão muitas vezes a pisar território virgem, no sentido em que lançam no mercado bens, serviços ou soluções com alguma dimensão disruptiva. Por isso, levam mais tempo a conquistar clientes e a rentabilizar os negócios.

Para prevenir os erros ou resistir melhor aos seus efeitos, há ecossistemas empreendedores que apoiam o crescimento das startups, designadamente através de incubação, aceleração, mentoria e coaching. Nestes ecossistemas, os empreendedores recebem formação e aconselhamento, testam as suas ideias de negócio, desenvolvem protótipos, estabelecem contactos, criam parcerias e conhecem investidores.

Adelino Costa Matos, presidente ANJE