CEO Challenge - José Paiva, CEO Landing.jobs

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José Paiva (CEO landing.jobs)

(English version)

No passado mês de março, o Governo, em Conselho de Ministros, aprovou o programa “Iniciativa Nacional Competências Digitais e.2030 - INCoDe.2030”. Este programa concretiza uma estratégia para o desenvolvimento digital do país. Tendo como horizonte 2030, pretende-se posicionar Portugal no grupo de países europeus de topo em matéria de competências digitais.

Na última avaliação feita pela OCDE, durante 2016 e 2017, aos sistemas de formação superior, ciência, tecnologia e inovação, em Portugal, foram reconhecidos os esforços em curso e foi recomendado que Portugal continue a alargar e melhorar as competências digitais, e a reforçar a capacidade de exploração do potencial social e económico dos mercados digitais emergentes.   O organismo internacional, defende que Portugal deve reforçar e promover o programa “InCoDe.2030” através de uma estratégia que mobilize e articule recursos públicos e privados, com vista a gerar maior competitividade da economia portuguesa e garantir a produção de novos conhecimentos nas áreas digitais.

Este programa lançado pelo governo visa colmatar a falta de profissionais digitalmente qualificados em Portugal. A Portugal Ventures entrevistou José Paiva, CEO da landing.jobs, a maior plataforma europeia de  recrutamento online especializado no setor das tecnologias de informação, para saber como tem sido o recrutamento de mão-de-obra digitalmente qualificada. A resposta não poderia ser mais óbvia, “atualmente é muito difícil recrutar pessoas digitalmente qualificadas, pois a procura é muito superior à oferta e o número de pessoas que estão a ser formadas não é suficiente . Mesmo somando todas as pessoas que estão a ser formadas pelo ensino universitário a outras formações que têm surgido no mercado como, por exemplo, o bootcamp da Academia de Código.”  Para José Paiva, o tempo apenas irá acentuar o desequilíbrio entre Portugal e os restantes países, referindo que  “o problema irá agravar-se. Basta comparar os números de Lisboa com outras cidades que já iniciaram a digitalização das suas economias há mais tempo.”

A concretização da «Iniciativa Nacional Competências Digitais - Portugal INCoDe.2030» estrutura-se em cinco eixos essenciais:

1 - Inclusão: com a generalização a todos os locais e camadas da população do acesso às tecnologias digitais, para obtenção de informação, comunicação e interação.

2 - Educação: formação das camadas mais jovens através do reforço de competências digitais em todos os ciclos de ensino e de aprendizagem ao longo da vida.

3 - Qualificação: mediante capacitação profissional da população ativa, dotando-a dos conhecimentos necessários à integração num mercado de trabalho que depende crescentemente de competências digitais.

4 - Especialização: tendo em vista a qualificação do emprego e a criação de maior valor acrescentado na economia, reforçando a oferta de Cursos Técnicos Superiores Profissionais nesta área, bem como a formação graduada e pós-graduada de cariz profissional.

5 - Investigação: garantindo as condições para a produção de novos conhecimentos e a participação ativa em redes e programas internacionais de I&D.

Uma realidade em Portugal é facto da mão-de-obra digitalmente qualificada, nestas áreas, ter remunerações mais baixas em relação a outros países, sendo muito difícil de reter os talentos no país.

“Ter pessoas com remunerações baixas em Portugal não ajuda, pois como existe muita procura a nível internacional estas pessoas acabam por emigrar.  Também o remote working a partir de Portugal está em forte crescimento, o que é bom para as profissionais e para o país, mas aumenta ainda mais o problema que a empresas têm para recrutar profissionais da área. O CEO da landing.jobs fala mesmo da falha de programas formativos, “pela Europa fora as Universidades não estão a formar o número de pessoas suficientes que o mercado precisa, o que obriga as empresas a virarem-se para a atração de candidatos internacionais. Por exemplo, na Booking.com em Amesterdão, mais de 90% da sua força de trabalho tech não são holandeses.”

O Governo português tem os objetivos bem traçados: aumentar a percentagem de 3% dos especialistas TIC no país, em 2020, para 8%, em 2030. Mas a falta de especialistas no setor, neste momento, pode ser prejudicial para a própria economia.

 “A falta de profissionais em tech está a dificultar imenso o desenvolvimento das empresas pois o custo dos projetos disparou e adiar a entrada na era da digitalização só faz com que as empresas sejam menos competitivas e, como tal, percam clientes e quota de mercado”, alerta José Paiva.

O país já percebeu a lacuna existente no mercado. Para Portugal funcionar como um hub tecnológico, precisa de apostar na formação de jovens qualificados nas áreas tech, capazes de corresponder à procura crescente do mercado.

Last March, in a meeting of the Council of Ministers, the Portuguese Government approved the Portugal INCoDe.2030 Programme - National Digital Competences Initiative e.2030. The programme implements a strategy for the country's digital development. The aim is to position Portugal within the group of top European countries when it comes to digital skills by 2030.

The OECD’s most recent assessment, carried out during 2016 and 2017, of higher education, science, technology and innovation in Portugal acknowledges the country’s ongoing efforts and recommends that it continue to expand and improve its digital competences, and that it bolster its capacity to exploit the social and economic potential of emerging digital markets. The international body believes that Portugal should enhance and promote the INCoDe.2030 programme through a strategy that mobilises and coordinates public and private resources to boost the Portuguese economy's competitiveness and ensure the generation of new knowledge in digital areas.

The programme launched by the government aims at addressing the shortage of digitally skilled talent in Portugal. Portugal Ventures interviewed José Paiva, CEO of landing.jobs, the largest European online recruitment platform specialised in the IT sector, to find out how difficult it is to recruit digitally skilled labour. The answer was clear, “today, it’s incredibly difficult to recruit digitally skilled talent because demand is much higher than supply and not enough people are being trained (in digital areas). Even when considering everyone being trained at universities and adding them to those being trained at other institutions available in the market, such as the Coding Academy’s boot camp.”  For José Paiva, this inequality between Portugal and other countries will intensify over time, “the problem is going to get worse. Just look at the figures in Lisbon compared to the cities that began digitising their economies sooner.”

The implementation of the “Portuguese National Digital Competences Initiative - Portugal INCoDe.2030” is based on five key axes:

1 - Inclusion: generalising access to digital technologies for the entire population across the country ensuring access to information, communication and interaction.

2 - Education: training the younger populations by reinforcing digital skills in all cycles of education and lifelong learning.

3 - Qualification: professional training of the active population, endowing them with the knowledge they need to compete in a labour market which is increasingly dependent on digital competences.

4 - Specialisation: job qualification and the creation of greater added value for the economy, bolstering the offer of Advanced Career Technical Courses in this field, as well as vocational graduate and post-graduate education.

5 - Research: ensuring conditions are created for the generation of new knowledge and active participation in international R&D networks and programmes.

In Portugal, wages paid to digitally skilled labour in these fields is lower than in other countries, making it incredibly difficult to retain talent.

“Paying people low salaries in Portugal doesn’t help because there is more demand for them abroad, so they end up emigrating.  Remote working from Portugal is also on the rise, which is good for professionals and for the country, but it also makes it all the more difficult for companies to recruit digitally skilled talent. Landing.jobs’ CEO also points out the shortcomings of training programmes, “Universities across Europe aren’t training enough people to meet market demand, which forces companies to look for talent beyond borders. At Booking.com in Amsterdam, for example, less than 10% of its ICT  workforce is Dutch.”

The Portuguese government has its goals clearly defined: increase the 3% of ICT specialists in the country, in 2020, to 8% by 2030. But the current lack of specialists in the sector could undermine the economy itself.

 “The lack of ICT  professionals is a severe handicap to the development of businesses as the cost of projects has soared, and delaying digitalisation will inevitably make companies less competitive, which means they’ll lose customers and market share”, warns José Paiva.

Portugal is aware of the market gap. For the country to succeed as a technology hub, it needs to invest in training young adults in ICT who are capable of meeting growing market demand.