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António Oliveira (CEO Zarph)            André Santos (CEO Nutrium)               António Correia (CEO Farmcontrol)

(English version)

A inovação tecnológica alterou as necessidades do mercado de trabalho. Hoje as empresas necessitam de profissionais digitalmente qualificados onde profissões como front developer, back developer, java engineers, software engineers nunca tinham sido tão procuradas como agora. Sendo o recrutamento para este setor, um tópico em destaque no ecossistema empreendedor nacional, a Portugal Ventures foi falar com André Santos, CEO da Nutrium, António Correia, CEO da Farmcontrol e António Oliveira, CEO da Zarph para saber como as empresas do nosso Portefólio gerem o recrutamento destes  especialistas.

Recrutamento de profissionais digitalmente qualificados – é um desafio?  

Para André Santos, CEO Nutrium, plataforma de nutrição onde os nutricionistas comunicam com os seus clientes, “o recrutamento de engenheiros informáticos é um desafio para todas as empresas da área e nós não somos exceção. No entanto, felizmente, mantemos uma excelente relação com a Universidade do Minho e com o Centro de Estudantes de Engenharia Informática (CeSIUM) o que nos facilita significativamente o recrutamento”.

António Oliveira, CEO da Zarph, startup especialista em Sistemas de depósito e pagamentos, partilha a mesma opinião, “o recrutamento de mão de obra qualificada nunca é fácil. A complexidade varia de acordo com o ramo de negócio a que a empresa se dedica. Para a Zarph, com um histórico relativamente grande na produção de equipamentos e desenvolvimento produtos de software que exploram a informação disponibilizada pelos mesmos , torna-se quase que obrigatório formar os seus próprios técnicos. O engenheiro admite que “a Zarph não tem tido uma tarefa fácil no recrutamento de profissionais, não tem sido fácil encontrar pessoas com as competências necessárias, ou cujo potencial de desenvolvimento se enquadre naquilo que são as necessidades da empresa.”

O CEO da Farmcontrol , start-up portuguesa da área da agropecuária que aumenta o bem-estar animal e otimizaos  custos dos produtores, António Correia, afirma que tem contratado estes profissionais por via de recomendações, mas refere que existe “uma falta cada vez maior de bons programadores e uma subida dos custos desses funcionários.  Para ele, “a oferta é escassa.”

Como são as remunerações de profissionais digitalmente qualificados  em Portugal comparativamente a outros mercados?

“Penso que numa área tão técnica e criativa, a remuneração mais baixa não é sinónimo de qualidade ou custo final mais baixo dado que isso pode significar ter funcionários com baixa experiência e a não utilização de recursos mais eficientes de programação”, é desta forma que António Correia vê a questão da remuneração em Portugal. O CEO da Farmcontrol refere que “hoje em dia a criatividade também é importante na montagem de soluções tecnológicas, sobretudo em questões de “user experience”. Por isso o paradigma não pode ser a contratação de baixo custo e sim a contratação de equipas com qualidade. É claro que essas mais valias tem de ser reconhecidas sempre pelo cliente final.”

Para André Santos, Portugal tem uma grande vantagem competitiva, “em Portugal, temos a vantagem competitiva de encontrarmos engenheiros informáticos de enorme qualidade com remunerações mais baixas do que nos EUA ou nos principais mercados da UE. Por isso é que temos cada vez mais empresas a criarem ou deslocarem as suas equipas de engenharia para Portugal. Acredito que esta relação entre a qualidade e a remuneração destes recursos é uma das maiores vantagens do nosso ecossistema.” Para o CEO da Nutrium, “a procura tem aumentado significativamente em Portugal. Prevemos que as remunerações continuem a subir significativamente até números mais próximos de outros mercados europeus.”.

António Oliveira fala de um movimento internacional de deslocalização de empresas, “o facto de as remunerações serem mais baixas em Portugal tem gerado um movimento internacional de deslocalização de empresas, ou criação de centros de excelência para desenvolvimento em Portugal. Este movimento tem provocado uma mobilidade muito grande de técnicos e um aumento da procura, com a consequente escalada de preços de mão de obra.” Segundo ele, as empresas que vivem do mercado nacional podem ter dificuldade em 3 variáveis: “perda de mão de obra qualificada, dificuldade de recrutamento para substituição de mão de obra perdida, dificuldade de refletir nos seus clientes tradicionais a variação dos preços de custo”. No entanto, “para as empresas que exportam desenvolvimento de software e decidiram basear o mesmo a partir de Portugal, é uma grande oportunidade. Já para as empresas que vivem do mercado nacional, poderão existir algumas dificuldades na rentabilização da mão de obra qualificada.”.

Qual o impacto que a escassez de mão-de-obra qualificada em áreas TECH/TIC tem no Desenvolvimento das empresas?

Segundo André Santos, “a falta de mão de obra qualificada na área já afeta as empresas e continuará a afetar no futuro, sem estes profissionais as empresas terão mais dificuldades no seu desenvolvimento. Para ele, “o mercado terá de continuar a evoluir para formar mais profissionais, cativar profissionais de outros mercados e ainda para criar soluções que permitam às empresas produzir mais com menos recursos. Da nossa parte, temos de continuar a trabalhar para oferecer melhores condições de trabalho e aprendizagem, para cativar e reter talento a trabalhar ao nosso lado.”

Um dos problemas apontados por António Oliveira é encontrar o profissional certo, “o problema da mão de obra qualificada surge quando a qualidade, eficiência, segurança, privacidade e diferenciação de produtos é um pré-requisito. Aqui, como sempre, a oferta não está adaptada às necessidades; como se costuma dizer, “o conhecimento não está disponível em cima da mesa para self service” sendo necessário fazer uma pesquisa cuidada para encontrar os colaboradores capazes de fazer produtos diferenciadores.

António Correia deixa o foco na estratégia. Acredita que a falta de profissionais qualificados pode ser um entrave ao desenvolvimento das empresas, “mas o maior entrave será a falta de uma estratégia de abordagem à transformação digital, o problema dos recursos vem a seguir.”

 

Focus on Talentech

Technological innovation has shifted labour market needs. Today, businesses need digital talent and front developers, back developers, Java engineers and software engineers have never been in such high demand. Given that recruitment in this sector is a hot topic in the Portuguese entrepreneurial ecosystem, Portugal Ventures sat down with André Santos, CEO of Nutrium, António Correia, CEO of Farmcontrol, and António Oliveira, R&D Engineer at Zarph, to find out how our portfolio companies are recruiting these specialists.

Recruiting digitally skilled talent - is it a challenge? 

For André Santos, CEO of Nutrium, a nutrition platform nutritionists use to communicate with their clients, “recruiting computer engineers is a challenge for all businesses in the field and ours is no exception. Thankfully, however, we have an excellent relationship with the University of Minho and the Computer Engineering Students Centre (CeSIUM), which helps facilitate recruitment.”

António Oliveira, CEO of Zarph, a startup specialising in payment and deposit solutions, shares the same opinion, “recruiting skilled labour is never easy. The difficulty varies depending on the business sector a company specialises in. For Zarph, which has a significant track record in equipment production and developing software that exploits the data it provides, training its own technicians has become almost mandatory. The engineer admits that “Zarph hasn’t had it easy when it comes to recruiting talent. It hasn’t been easy to find people with the necessary skills, or whose development potential matches the company’s needs.”

António Correia, CEO of Farmcontrol, a Portuguese startup in the livestock farming sector that improves animal welfare and optimises costs borne by farmers, states that he has hired talent based on recommendations, but says that “there is a growing shortage of good programmers and the cost associated with these employees is increasing”.  For him, “supply is scarce.”

 

How is the pay for digitally skilled talent in Portugal compared to other markets?

“I believe that in such a technical and creative field, a low salary isn’t synonymous with low quality or a lower final cost given that it could mean that employees have less experience and that other less efficient programming resources are used” says António Correia, sharing his view on wages paid in Portugal. The CEO of Farmcontrol says that “today, creativity is also important in designing technology solutions, especially when it comes to ‘user experience’. So, we shouldn't be looking at low-cost recruitment but rather at recruiting quality teams. Of course, this added value must always be acknowledged by the end user.”

For André Santos, Portugal has a huge competitive advantage, “in Portugal, we have a competitive advantage in that we are able to find highly-skilled computer engineers with salaries that are lower than those paid in the US or in key European markets. That’s why there are increasingly more businesses being established in or relocating their engineering teams to Portugal. I believe that the correlation between the quality and pay of these resources is one of our ecosystem's biggest advantages.” For the CEO of Nutrium, “demand has increased significantly in Portugal. We expect pay to continue to rise significantly until it reaches figures similar to those paid in other European markets.

António Oliveira speaks of an international movement to relocate businesses, “the fact that pay is lower in Portugal has led to an international movement to relocate businesses or create world-class development centres in Portugal. This movement has led to the intense mobility of technicians and increased demand, with the resulting increase in the cost of labour. According to Oliveira, businesses in the Portuguese market may face challenges on three fronts: “loss of skilled labour, difficulty in replacing lost talent and difficulty in offsetting the changes in cost prices with traditional customers. However, “it’s a great opportunity for businesses that export software development and decide to establish their base of operations in Portugal. On the other hand, businesses that rely on the domestic market could find it difficult to monetise skilled labour.

What impact does the shortage of skilled ICT talent have on the growth of businesses?

According to André Santos, “businesses are already feeling the effects of the shortage of skilled labour and it will continue to have an impact in the future, because without these professionals businesses will find it more difficult to grow. Santos believes “the market will need to continue to evolve in order to train more professionals, attract talent from other markets and to create solutions that enable businesses to produce more with less resources. And we’ll need to do our part by continuing to work on offering better working conditions and capacity-building opportunities to attract and retain talent to work with us.”

One of the problems António Oliveira points out lies in finding the right talent, “the problem of skilled labour is when the prerequisite is product differentiation, quality, efficiency, security and privacy. This is where, as usual, demand doesn’t meet supply; as they say: ‘knowledge isn’t something you simply come across’ . You have to conduct a painstaking search to find talent that is capable of creating distinctive  products."

António Correia focuses on strategy. He believes that the shortage of skilled talent can be an obstacle to the growth of businesses, “but the greatest barrier is not having a digital transformation strategy; the talent problem comes later.”