Quais as tendências e as oportunidades em 2021 para quem tem nas suas mãos o desenvolvimento de negócios?

A Portugal Ventures foi saber junto de 4 dos seus Ignition Partners, quais consideram ser as principais tendências e oportunidades de negócio para o ano que aí vem. O contributo é valioso mas só abre caminhos para quem tem resiliência e perseverança.

Leia aqui as perspetivas do Jorge Pimenta (Instituto Pedro Nunes), do Hugo Valadas (PACT), do Eduardo Costa (PCI Aveiro) e do Luís Rodrigues (Startup Braga).

TENDÊNCIAS PARA 2021

Para Jorge Pimenta, Project Manager no Instituto Pedro Nunes, “a transição tecnológica de muitos setores está a acontecer abruptamente pela inevitabilidade da transformação digital. A adoção de soluções que fazem uso da inteligência artificial (IA) e da Internet das coisas (IoT), transformarão o acesso, partilha de dados e distribuição até, literalmente, à porta do cliente. A Sustentabilidade já não é um objetivo, é uma exigência. Esta crise expôs camadas de danos ambientais que urge reverter, abrindo oportunidades para repensar cadeias logísticas, ciclos de vida dos produtos e plataformas para partilha/utilização comum. Por fim, a transformação de hábitos de consumo abre caminho à criação de experiências mais imersivas e personalizadas. A necessidade de evasão no turismo e lazer, ainda que digitalizada, potencia conteúdos digitais como os eSports, mas também os wearables/ Internet of Bodies (IoB) que expandam as possibilidades de interação.”

Hugo Valadas, New Business Development do PACT, constata que “do dia para noite, a maioria dos locais turísticos do mundo passou do excesso de turismo para o não turismo. Os habitantes puderam observar a melhoria da qualidade de vida sem essamassificação: redução de poluição, redução drástica de lixo e resíduos, litorais e canais limpos. É cedo para previsões a longo prazo, mas quando os primeiros turistas retomarem as viagens, eles irão encontrar medidas, inicialmente temporárias, como definitivas: contacto pessoal reduzido, forte higienização, verificação de temperatura e distanciamento social. A bordo dasaeronaves ou em aeroportos – serão necessárias máscaras. Os Turistas inteligentes irão confiar mais nos lugares com boa governança e sistemas de saúde. Eles viajarão menos mas irão ficar mais tempo.”

Eduardo Costa, Business Developer no PCI, Universidade de Aveiro Incubator, aponta para queprovavelmente a tendência e oportunidade no sector do turismo mais relevante para Portugal será o turismo hiperlocal. A situação particular pela qual passamos condicionou a forma como os portugueses usufruíram das suas férias. As limitações à circulação e às viagens fizeram com que os portugueses optassem por férias no próprio país e regiões mais perto do seu domicílio, em norma deslocações de carro até 300 km. Prevê-se que esta situação poderá manter-se enquanto a pandemia não estiver controlada e forem levantadas todas as medidas de contenção e limitação à circulação. Serão viagens curtas, em família ou com um pequeno grupo de amigos próximos, que pretendem manter condições de higiene e segurança e de distanciamento social.”

Por seu turno, Luís Rodrigues, Diretor da Startup Braga, considera que, em 2021, “o 5G, apesar das disputas fraturantes entre regulador e operadoras, deverá conhecer importantes desenvolvimentos em 2021, concretizando a sua promessa de revolução em diferentes indústrias, na interconectividade entre todas as coisas e nos ganhos de eficiência e escala no desenvolvimento industrial”. O responsável pelo hub de inovação bracarense vai mais longe e aponta “as alterações climáticas como uma preocupação cada vez mais transversal na sociedade, pelo que irão, certamente, conduzir a novos hábitos de consumo e a uma maior exigência a todos os níveis: desde as políticas de sustentabilidade das empresas, aos decisores públicos a quem serão cada vez mais exigidas políticas de promoção de cidades inteligentes. A mesma preocupação deverá também ser indutora de uma aposta mais comprometida com a ciência e com a exploração de diferentes recursos económicos como o mar, o espaço, os novos materiais, a água e as tecnologias associadas”. Na sua ótica, também as Ciências da Vida e a Biotecnologia conquistarão uma grande relevância, “não só pelas contingências que a atual crise pandémica impõe, como também pela extraordinária oportunidade para afirmar Portugal como a “Fábrica da Europa” nestes sectores, através do desenvolvimento de produtos de elevado valor acrescentado, desde medicamentos a dispositivos médicos.”

OPORTUNIDADES EM 2021

“Das crises surgem as oportunidades”, a máxima que acompanha a esperança em tempos difíceis, como os que estamos a viver com a pandemia.

Para Jorge Pimenta, “os novos modelos de negócio aproveitarão estas oportunidades mesmo face às restrições legais, receios e incertezas. Nestes tempos de mudança, as empresas necessitam de se redesenhar para aproveitar as alterações de comportamentos, utilizando a tecnologia para responder ao novo paradigma: Remoto/Digital.

Hugo Valadas considera que “as áreas de menor densidade populacional irão ver um incremento na economia local através das visitas de turistas. Existirá uma valorização de locais turísticos de proximidade. O rastreamento de pessoas (medição de temperatura) em aeroportos, metro, museus, estádios, etc. será uma prática comum, pelo que empresas com base tecnológica nesta área irão ser beneficiadas. Ainda nesta área, empresas que possibilitem em tempo real a informação aos viajantes, de conselhos de saúde e segurança em tempo real, ou a possibilidade de check-ins automatizados, poderão ver surgir oportunidades. As nossas reuniões de negócios, férias em família e atividades de lazer irão mover-se cada vez mais para mundos virtuais.”

Eduardo Costa fala-nos das oportunidades no setor do Turismo, considerando que “as oportunidades concentram-se na tipologia de oferta ao consumidor. Que tipo de experiências podemos oferecer a pessoas que já conhecem a região, conhecem a língua, conhecem o país ao mesmo tempo que garantimos todos os níveis de segurança para a saúde pública? Esta pergunta resume o desafio imediato para restaurantes, hotéis, alojamentos, operadores turísticos no geral. Todos eles precisam conhecer este novo perfil de turista e de preparar uma oferta que o surpreenda e assim valorize ainda mais a “sua terra”, ao mesmo tempo que equilibra as necessidades do negócio com as expectativas dos seus clientes.”

“A Medicina digital e outras tecnologias que enfrentem o envelhecimento e o isolamento populacional”, são áreas que, para Luís Rodrigues, poderão trazer novas oportunidades de negócio. Também os novos materiais e produtos, convergentes com o desígnio da sustentabilidade e da economia circular, surgem como oportunidades a explorar no próximo ano, a que se junta adigitalização dos serviços da Administração Pública, bem como o desenvolvimento de soluções para mitigar os efeitos da COVID-19. Luís Rodrigues considera ainda haver mercado para o desenho de novas soluções de mobilidade, novas soluções que respondam à mudança no paradigma do trabalho e da futura configuração das relações laborais e realça a importância de uma aposta em novas tecnologias direcionadas ao sector da Educação.