Quais os negócios que estarão na mira dos investidores em 2021?

A Portugal Ventures foi perguntar à Lurdes Gramaxo, partner da Bynd, ao Gonçalo Sousa Coutinho, diretor na HCapital e ao Hugo Gonçalves Pereira, partner da Shilling Capital Partners, nossos parceiros de capital na rede Ignition Capital Partners, quais as áreas que irão despertar interesse nos investidores portugueses.

Para Lurdes Gramaxo, Partner da Bynd, “ Estamos a terminar um ano muito desafiante para todos e também para o capital de risco. Para além dos ajustamentos ao nosso “modus operandi” que, necessariamente, tivemos que introduzir, a Bynd VC prosseguiu a sua actividade de investidores em early stage, na certeza que a progressiva digitalização da economia é um caminho irreversível e que as start -up’s tecnológicas em que investimos, desempenham um papel alavancador desta mudança. Lançamos, ainda no final de 2019, o nosso novo fundo, BA VF, que cumpriu, em 2020, os objectivos de investimento que tínhamos traçado. Temos estado atentos ás alterações que a pandemia introduziu e há tendências que vieram para ficar, como a diversificação de modelos de Ecommerce, que se fortaleceu e que ganhará cada vez mais espaço em detrimento de formas mais tradicionais de consumir. O sector da saúde também caminha para uma progressiva digitalização, ganhando cada vez mais espaço novas formas de teleconsulta, de diagnóstico personalizado  e de medicina preditiva, com vantagens económicas evidentes e sem perda de qualidade e eficiência. A comprovação de que o teletrabalho é eficaz, vai levar a novas formas de  organização das empresas e a experiência positiva das novas reuniões de trabalho, á distância, vai impactar, significativamente, com as tradicionais formas de fazer negócio. Por último, parecemos que o sectorda Educação,também  avançará com a introdução modelos com maior utilização de tecnologias da informação.

É com confiança que Gonçalo Sousa Coutinho fala do rumo da HCapital ao longo deste ano:Apesar dos desafios que o ano de 2020 nos colocou, a HCapital não alterou o rumo que definiu para a atividade do seu Fundo HCapital New Ideas, um fundo de venture capital que investe em empresas inovadoras nas áreas de energia, smart cities, conectividade e em tecnologias vocacionadas para a melhoria de processos industriais. Embora consciente dos impactos negativos que se têm sentido no curto prazo, a HCapital está confiante que, a breve prazo, com a crescente “digitalização” da economia, a proposta de valor das soluções tecnológicas em que aposta sairá reforçada. Neste sentido, áreas infraestruturais como novas tecnologias de processamento e armazenamento de dados, melhoramento do fluxo e segurança de informação, (incluindo soluções cloud based, cybersecurity, etc.), data analytics e, sobretudo, soluções assentes em inteligência artificial beneficiarão de uma forte procura por parte das empresas. Por outro lado, sustentado pela necessidade de aceleração do processo de transição para uma economia mais sustentável e de baixo carbono, tecnologias que possibilitem a eficiência e a redução da intensidade energética podem sair vencedoras. Incluem-se nesta categoria, as tecnologias de armazenamento e as soluções de gestão dos novos paradigmas do sector elétrico (como a produção descentralizada, recursos energéticos distribuídos, flexibilidade, eletrificação da mobilidade, etc.).

Para Hugo Gonçalves Pereira, Partner da Shilling Capital Partners “esta crise ajudou a salientar o papel crucial que a tecnologia desempenha na sociedade e na economia, quer seja no apoio aos esforços para gerir a resposta da saúde durante a pandemia ou para permitir às empresas manterem-se produtivas mesmo em tempos de confinamento. Nesse sentido, temos vindo a assistir a uma aceleração da adoção digital na Saúde (p.e. telemedicina), Mobilidade (p.e. entregas) e nas empresas no geral (p.e. ferramentas de colaboração). Isto serve apenas para reforçar o momentum de tendências que a Shilling acredita e que tem vindo a apoiar os empreendedores na última década. Para 2021, destacamos os temas da privacidade dos dados, o futuro do trabalho, a digitalização da saúde, e a extensão dos serviços financeiros com base nos dados bancários (PSD2), bem como a automação de workflows, ou transformação digital das empresas, através de soluções de machine learning e inteligência artificial.”

Para Lurdes Gramaxo, as grandes oportunidades para os próximos anos estão muito relacionadas com todo o tipo de automação e digitalização dos processos de produção, naquilo que se convencionou chamar Indústria 4.0, assim como na utilização crescente de softwares Colaborativos e soluções HRtech. No consumo passará muito por soluções contactless, maior utilização de Cloud Kitchens e Dark Stores e no Ecommerce veremos aparecer mais Digital Native Vertical Brands e soluções de Fulfillment. As tendências de digitalização dos processos na Saúde farão surgir novos modelos de Telehealth e Mental Health, assim como na Educação surgirão mais soluções de Edtech. Num mundo globalizado e cada vez mais digitalizado a Cybersecurity ganhará também uma importância acrescida.

A crescente importância dos novos modelos de relacionamento e de colaboração à distância e a necessidade de “virtualização” dos contextos reais”, são uma oportunidade na opinião de Gonçalo Sousa Coutinho. “Neste campo, acreditamos que soluções de Digital Twin, de realidade aumentada e/ou virtual e tecnologias que agilizem processos de gestão industrial, que facilitem o acesso remoto a informação e que promovam formas mais eficientes de colaboração, irão certamente assumir um papel incontornável. A HCapital está, pois, moderadamente otimista para 2021, continuando a acreditar que, com a normalização do atual contexto de incerteza em que vivemos, vão aparecer novas oportunidades, fruto das transformações estruturantes que períodos de crise como este tipicamente promovem.”

Hugo Gonçalves Pereira destaca que o B2B será a oportunidade de negócio com maior potencial de crescimento: “Historicamente, tem existido um foco no comércio B2C, uma vertente mais top-of-mind, e na qual, como consumidores, beneficiamos de empresas como a Amazon, Shopify e Stripe todos os dias. Mas o mercado B2B, ainda em grande parte offline, representa uma oportunidade tremenda ($ 100T+). E à medida que as primeiras gerações de fundadores bem-sucedidos terminam os seus ciclos virtuosos, esperamos ver mais oportunidades no espaço B2B no futuro. Portugal têm provado que consegue desenvolver líderes em categorias, como eCommerce (Farfetch), low code (Outsystems) e tradução (Unbabel). E acreditamos que estão reunidas as condições para novos líderes, pelo ecossistema diversificado (grandes talentos nacionais e internacionais), custo/qualidade de vida e pelo apoio crescente de fundos privados e públicos.“